Thursday, November 16, 2006

Merthiolate

Nos deixamos enganar pelos sentimentos que acompanham o desenvolvimento de um novo amor. Sofremos, conhecemos a dor e procuramos sempre a luz, o beijo, mais um passo entre as montanhas.

É com extrema dor que começamos nosso caminho.


Um corpo imóvel faz-se cama para seu algoz.
Ainda uma menina.
Seios tesos, farpas a espera de um beijo.
Olhos se encontram em um sorriso encabulado
Dor!
Dor!
A pureza de uma lágrima maculada pelo suor incansável de seu homem
Mulher

Por que despedir-se é tão triste. O que constrói nossa sociedade senão infinitas despedidas sem importância? Mas como dizer adeus a quem nunca voltará?
Quando uma semana é muito tempo?


Curvado, banhando-se em vida. Alienado em sua escuridão.
Cresce a vida protegida.
Dor!
Dor!
Dor!
O choro rompe o silencio da noite.

Mas quem vai querer sofrer? Por que sofrer num mundo onde tudo é fácil e indolor. onde o merthiolate tem que mudar sua formula porque antes ardia demais. Os pequenos covardes de hoje, os medrosos, os cagões, que ao menor sinal de dor e sofrimento vão correndo para suas casas se esconder, fazem de nosso mundo um lugarzinho de merda.


Um movimento falseado. Um tropeço na vida
Um corpo que cai.
Dor!
Silencio,

Posso vê-la chorando de mãos vazias. Seu filho jaz em uma solitária e fria pedra na eternidade que é nosso chão. As lágrimas de sua mãe não lhe dará mais um sopro. Nada que ela faça poderá salva-lo agora.
A não ser em seus sonhos, ele nunca mais viverá.


Quando algumas horas se tornam eternidade e esse momento é celebrado com tristeza, seu coração chorará?